Ver Mistérios
Autor Willes S. Geaquinto
Assunto AutoconhecimentoAtualizado em 6/1/2026 12:09:26 PM
"O maior mistério é ver mistérios / Ai de mim, senhora natureza humana / Olhar as coisas como são, quem dera / E apreciar o simples, que de tudo emana."
Essa estrofe da canção O Maior Mistério, de Renato Teixeira, músico e compositor brasileiro, habita minha memória há muito tempo. E foi ela que me provocou a desenvolver esta reflexão - ainda que, devo confessar, eu não ache assim tão misterioso o fato de vermos mistérios por toda parte. Afinal, isso é bastante corriqueiro entre os humanos comuns.
Mas justamente aí surge a primeira questão: o que chamamos, de fato, de mistério? O dicionário Michaelis define como "tudo quanto a razão não pode explicar ou compreender; tudo quanto tem causa oculta ou parece inexplicável; enigma, segredo." A definição, à primeira vista, parece satisfatória. Correta, até. Mas ela carrega dentro de si uma pergunta ainda maior, que não podemos ignorar: qual é, afinal, o limite da razão?
Para Immanuel Kant, talvez o filósofo mais relevante para tratar desse assunto, o problema dos limites da razão impõe a esta "a mais difícil das suas tarefas, a do conhecimento de si mesma." Porque se o mistério é aquilo que a razão não alcança, então a fronteira do mistério se move conforme a razão avança. O que era inexplicável ontem pode ser compreendido hoje - e o que parece óbvio hoje pode revelar, amanhã, uma profundidade que nem suspeitávamos. Isso nos leva a questionar se o mistério está, de fato, nas coisas - ou se está no olhar de quem as observa. Perspectiva que, de diferentes formas, outros pensadores ao longo da história também abraçaram.
Numa outra perspectiva, podemos trazer brevemente Aristóteles a esta reflexão, a partir do princípio do primeiro capítulo da sua obra Metafísica, quando declara que "Todos os homens têm, por natureza, desejo de conhecer." A questão que se delineia, então, é a de que para que esse desejo se concretize, será preciso o esmero do buscador - que ele aperfeiçoe seus meios de observação, sua base de conhecimento e sua instrumentalização. Algo corroborado, de algum modo, pelos fenomenologistas Edmund Husserl e Merleau-Ponty, quando concluem que o mistério pode estar menos nos fenômenos e mais em quem os observa.
Mas sem a pretensão de escrever um tratado sobre o assunto - e sim de abrir uma fresta para uma saudável reflexão -, volto ao ponto central: o maior mistério é ver mistérios. Entendo que mistérios sempre existirão, uns mais decifráveis, outros nem tanto. Como Gilberto Gil já cantava em Esotérico, de 1976, "mistérios hão de pintar por aí." Sendo assim, cabe ao ser humano - que também é "meio misterioso" em sua essência - capacitar-se para desvendar os mistérios que a vida lhe apresenta, alguns mais profundos, outros aparentemente óbvios.
Boa reflexão e observação.
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Autor Willes S. Geaquinto Willes S. Geaquinto - Psicanalista,Psicoterapeuta, Consultor Motivacional. Trabalha com a Terapia do Renascimento promovendo o resgate da autoestima, o equilíbrio emocional e solução de transtornos, fobias,etc... Palestras e Cursos Motivacionais(relação de palestras no site). Contato: (35) 99917-6943 site: www.viverconsciente.com.b E-mail: [email protected] | Mais artigos. Saiba mais sobre você! Descubra sobre Autoconhecimento clicando aqui. |










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