SOCIEDADE DO CANSAÇO OU DA PREGUIÇA?
Autor Willes S. Geaquinto
Assunto Corpo e MenteAtualizado em 9/14/2026 12:18:41 PM

Sociedade do Cansaço é um livro tese do pensador sul-coreano Byung-Chul Han, muito em voga em tempos de internet. A princípio, não discordo da tese; por outro lado, vejo que vivemos um tempo de muitos paradoxos, e um deles que trago para a reflexão é a relação entre a preguiça e o cansaço. Para alguns, a preguiça não combina com o cansaço, mas, a meu ver, elas se comunicam - mesmo que seja no campo emocional, onde está a raiz do problema. Ninguém passa impune pela preguiça, até porque ela contraria a dinâmica da vida em evolução, que é movimento.
Por outro lado, a razão do cansaço a que se refere o pensador citado pode estar relacionada à aceleração da vida que hoje experimentamos. Ou seja: estamos cada vez mais imediatistas ao mesmo tempo em que tudo anda tão líquido, como diria Zygmunt Bauman, o sociólogo e filósofo polonês, autor de Modernidade Líquida.
Indo um pouco além no paradoxo citado, podemos dizer que ele toca exatamente no nó cego da subjetividade contemporânea: a preguiça e o cansaço, além de se comunicarem, às vezes são duas faces da mesma moeda emocional e existencial. O senso comum tende a ver a preguiça como a ausência de ação e o cansaço como o resultado do excesso de ação. Porém, na dinâmica hiperativa e fluida das obras dos dois pensadores citados, essas dimensões se fundem, trazendo à tona elementos que devem ser observados:
- A Preguiça como Esgotamento Psíquico: A "preguiça" contemporânea raramente é o repouso contemplativo ou o ócio criativo. É, com frequência, a paralisia diante do excesso. Quando o indivíduo é cobrado a ser infinitamente produtivo, autogerenciável e presente, a recusa ou a incapacidade de agir manifesta-se como preguiça - mas uma preguiça carregada de culpa e desgaste mental.
- O Cansaço sem Movimento Físico: O cansaço da "sociedade do desempenho" não vem apenas do esforço muscular ou do trabalho braçal, mas da hipervigilância, do excesso de estímulos digitais e da busca ininterrupta por validação. É possível passar o dia estático, estagnado em um estado de inércia, e terminá-lo exausto.
Daí surgem dois polos que também devemos considerar:
- Autoexploração e autocobrança: Han argumenta que a passagem da sociedade da disciplina (do "não deve") para a sociedade do desempenho (do "pode tudo") transformou o sujeito em carrasco de si mesmo. A pressão para estar sempre em movimento, evoluindo e produzindo, gera uma sobrecarga contínua.
- Inércia Reflexa: Diante da fluidez das coisas, em que nada dura o suficiente para se consolidar, o esforço contínuo perde o sentido prático. A "preguiça" surge, então, como uma forma defensiva de inércia - um freio de emergência involuntário do psiquismo -, mas que, por contrariar o imperativo de movimento da vida, acaba gerando mais sofrimento, desequilíbrio e desconfortos emocionais e físicos.
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Autor Willes S. Geaquinto Willes S. Geaquinto - Psicanalista,Psicoterapeuta, Consultor Motivacional. Trabalha com a Terapia do Renascimento promovendo o resgate da autoestima, o equilíbrio emocional e solução de transtornos, fobias,etc... Palestras e Cursos Motivacionais(relação de palestras no site). Contato: (35) 99917-6943 site: www.viverconsciente.com.b E-mail: [email protected] | Mais artigos. Saiba mais sobre você! Descubra sobre Corpo e Mente clicando aqui. |









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