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AOS 24 ou 42!...

Atualizado dia 1/26/2014 8:09:49 PM em Espiritualidade
por Christina Nunes


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Ontem, noite de sábado, ao invés de prestar atenção na programação desinteressante da tv, reparava nas músicas da baita festa rolando no pátio de algum prédio das cercanias do meu edifício. E, admirada, comentava para meus filhos que, em oito anos passados desde que nos mudamos para o endereço, era a primeira e absoluta - e, temo que única! - vez em que, a despeito da altura astronômica das caixas de som, eu fazia gosto em ouvir o repertório de uma festa acontecendo na vizinhança!

Claro, isso é subjetivo - alguém haverá logo de argumentar, e com razão! Afinal, percebia-se que o perfil da festa era anos 70/80 - justo as décadas nas quais dancei pra valer em festas ou danceterias, com repertórios que iam desde U2 até Simple Minds, com acréscimos de muitas pérolas da MPB! Ora, isto é raro nas imediações hoje em dia, penso; de noventa por cento dos endereços festivos, sejam em casas de festas ou em residências, não são todos que apreciam o estilo retrô! Todavia, admirada do esmero do organizador da celebração em garimpar justo os cults daqueles tempos, como dito, e desviando-me de qualquer coisa insossa que assistíamos na tv, comecei a balançar o corpo no sofá. E logo depois, metade por troça diante dos meus filhos, metade metida num excelente estado de espírito, levantei e me pus a dançar pra valer, andando de um lado para outro em casa, contagiada pelo ruído ensurdecedor, diga-se, da música invadindo estrondosamente os arredores normalmente silenciosos da nossa rua residencial.

Conto que o fiz metade por troça diante dos meus filhos porque, como os leitores talvez devem saber, é coisa comum a reação de jovens de certa faixa etária diante de tais rompantes, para eles, incompreensíveis da parte de pais e mães! Ainda outro dia ria-me no trabalho ouvindo história semelhante de um amigo em relação à filha pré-adolescente, quando a esposa, de propósito, começou a dançar no banco do carro, e a menina, olhando-a de esguelha, comentou que às vezes a mãe se comportava de maneira "muito estranha"!

Com efeito: é fenômeno psicológico comum em todos os tempos, ao que aparenta, a percepção - e esta sim, estranha! - de que os pais não podem dançar! Não devem demonstrar ostensivamente acessos demasiadamente joviais ou felizes. Não podem, de modo algum, cantar, ou algo semelhante! Não se sabe se por se deterem demasiado na referência séria, sisuda, dos pais orientadores, sempre responsáveis, sempre mergulhados em um milhão de preocupações e compromissos diários incessantes, não captam um outro lado que - sim, queridos jovens! - existe e existirá, a qualquer tempo, no ser humano! Porque se relaciona à realidade íntegra e mais definitiva do espírito de cada um de nós, independente de faixa etária! E esta faceta é justamente a jovialidade! A capacidade de se expressar, sem tolhimentos, o frescor sempre presente na vida, no íntimo de cada um de nós! E isto tem a ver com alegria; com vontade de viver, e de dançar, e de cantar! De tocar um instrumento e se emocionar com uma apresentação musical! Com se desenhar ou pintar, ou se contar piadas, ou dar gargalhadas!
 
Não é sem razão que, sempre, os mentores espirituais se nos apresentam de dentro desta verdade definitiva, e nos falam sobre ela, e nos instruem, para que nela saibamos permanecer, sem deixar que a correria e os desassossegos de nossas vidas cotidianas imponham sobre isto qualquer tolhimento! Porque nas esferas espirituais, pouco importam as aparências, embora estas, via de regra, nas dimensões da vida mais felizes, tendam a se revelar jovens e joviais! E ainda que intencionalmente eles não se apresentem a nós com este aspecto, por variadas razões ou conveniências de momento, pouco importa! Quem vive inserido num contexto de eternidade, não foge da expressão obrigatória da vivacidade contagiante; e isto tem a ver com o gosto mais absoluto e definitivo pela vida, e pelas boas coisas que enriquecem esta Vida - e entre tantas, dançar e cantar! 

Por que não, queridos jovens?!

Não se enganem! Tudo é transitório, todas as idades, todas as aparências - mas não o senso de humor, atributo eterno do espírito, quando o cultivamos com sabedoria!

Não se deixem iludir pelos aspectos às vezes sisudos das faixas etárias não mais do que mais à frente do que as suas, porque, em contexto de eternidade, nossos 40 ou 50 não são nada, assim como os seus 15 ou 25 também não são! Tudo neste território nebuloso é relatividade pura - e costumo mencionar, para tanto, o exemplo de minha centenária avó, hoje contando 101 - quando meus dois filhos, uma com 13, outro com 21, sugerem a mesma percepção deslocada que todos experimentamos, quando tínhamos exatamente a mesma idade: diante dos 101 de vovó, o que são meus 49? Em dependendo de quanto tempo viva, ainda estou começando a viver! A todo vapor! E eles, sob esta referência, ainda estão em fase de gestação!
 
E - repito - sob uma ótica de eternidade, que, queiram ou não, aguarda todos nós?! 

Então, saibam da grande verdade: na integridade espiritual de cada um, dentro de cada pai e mãe responsável, entretido com mil e um compromissos, que em variadas vezes aparentam não muito mais do que orientadores severos e rigorosos - porque há que ser assim, como norte para filhos que amam - existem, também, pais e mães que cantam! Que dançam, e com gosto! Com o mesmo e em nada diverso gosto e entusiasmo por música, por belezas naturais e passeios, e por curtir a vida de maneira mais desafogada - sempre que der! E, neste contexto, meus amigos, tanto faz 42 quanto 24! É o famoso 6 por meia dúzia!

Dá tudo no mesmo! 

Mas... ah! - Talvez alguns pensem sem dizer, em lendo estas linhas que provavelmente lhes aparentem meio divertidas, algum acesso senil de coroa que não se situa - as aparências, as condições físicas não são mais as mesmas! Tão ridículo! Um velhinho ou velhinha enrugada dançando! Ou alguém com uns quilinhos a mais! Mais com cara de vovó do que de frequentadora de baladas, mas aí é que eu lhes explico: dançar e cantar não tem nada a ver com aparência física -mas com gosto pela vida, queridos! Com saúde emocional, física, espiritual! Porque gosto pela vida representa saúde de corpo e de espírito, e tudo o que se requer para um bem viver, e é a partir disso que eu lhes questiono, porque deve-se decidir: ou escolhe-se pais para cima, bem-humorados, cantando e dançando, para que exista melhor equilíbrio ao seu outro lado de pais orientadores, de que se valem os filhos para adquirir para a vida os seus melhores valores, ou então opta-se pela visão preconceituosa,  para se usar o jargão da moda: pais pra baixo, que não dançam nem cantam, e nem riem, e entra dia sai dia só fazem pagar contas, trabalhar, ralhar e reclamar...

Pais que não souberam preservar a condição da alegria de viver, da percepção do colorido simples quanto grandioso da vida, e que, por conseguinte, não saberão enxergar, também em vocês, as suas melhores qualidades!

Pais que só percebem o lado em preto e branco, sombrio, da vida, de tudo e de todos com quem a compartilham! Pais que não dançam e não cantam mais... Mas que, também, terão pouca percepção para as inovações saudáveis e mais do que necessárias ao mundo, que de futuro virão, e para cuja realização todos precisam de uma pavimentação sadia das gerações passadas, como base de apoio! E ninguém pavimenta nada de construtivo preservando mofo e destruindo em si a jovialidade; a juventude em pensamentos e em atitudes; a capacidade de renovação, existente como herança eterna, em tudo que vive, e em todos nós!

Nas dimensões espirituais, meus queridos jovens, todos dançam! Não se iludam! E mesmo os mais tímidos o fazem - nem que somente lá, em pensamentos e em projeções, que nos levam para o desafogo daqueles setores do coração e do universo nos quais todos residimos, e para os quais um dia, em definitivo, e inevitavelmente, retornaremos - as verdadeiras e felizes moradas dos nossos espíritos imortais!

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Conteúdo desenvolvido por: Christina Nunes   
Chris Mohammed (Christina Nunes) é escritora com doze romances espiritualistas publicados. Identificada de longa data com o Sufismo, abraçou o Islam, e hoje escreve em livre criação, sem o que define com humor como as tornozeleiras eletrônicas dos compromissos da carreira de uma escritora profissional. Também é musicista nas horas vagas.
E-mail: [email protected] | Mais artigos.

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