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O pianista-filósofo

por Regina Ramos
O pianista-filósofo

Publicado dia 29/1/2012 em Espiritualidade

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Trata-se do meu filho, Tarso. Aos doze anos, quando eu o mandei fazer a lição de casa da escola, ela me disse: “Mãe, primeiro a vida, depois a lição”. A vida era o jogo de futebol nas areias da praia de Santos, sua terra natal. Permiti que ele fosse primeiro jogar futebol para depois fazer a lição e fiquei a refletir sobre o seu argumento. Sendo professora e pedagoga, eu precisava aprender alguma coisa com a resposta do Tarso. Ora, se ela diz que a vida deve estar em primeiro lugar, ele não conseguia colocar a escola dentro da vida. O que isso significa? Significa que a escola, em geral, é vista como algo sem “vida”, sem movimento, sem dar ao estudante entusiasmo. Se as coisas da escola fossem instigantes, talvez os alunos tivessem mais boa vontade para o processo do aprender. E, além disso, Tarso estava me ensinado outra coisa: a lição de casa não precisa vir em primeiro lugar, como o senso comum manda que assim seja.

Tarso jogou seu futebol, chegou em casa, tomou banho, lanchou e foi fazer a lição de casa, sem stress. Gostar da escola, ele nunca gostou, como Thomas Edison (que era sempre o último da classe), Marcel Proust, cuja redação a professora considerava desorganizada, Albert Einstein (que era considerado meio bobo), Pablo Picasso, que nunca conseguiu lembrar a sequência do alfabeto e saiu da escola com dez anos: “Até seu professor particular deu o caso dele como perdido porque ele não conseguia aprender aritmética”, e tantos outros não famosos como meu filho. A escola continua não sabendo lidar com aqueles que não se encaixam em seu processo de ensino e aprendizagem, apesar de toda a parafernália tecnológica que hoje utiliza. Antes do uso tecnológico é preciso conhecer a condição humana, e esse conhecimento passa longe da escola.

Tarso continuou validando até hoje sua filosofia de vida. Pianista, ele decidiu desde cedo viver da música erudita, o que não tem sido fácil em um país do carnaval. Todavia, para honrar sua escolha e ser feliz, pois este é o seu compromisso maior, ele abriu mão da ideia geral de sucesso que está ligada ao aspecto financeiro – sabemos que ser “bem-sucedido” na sociedade pós-moderna é ter dinheiro, “ganhar bem”, para comprar e manter tudo o que o consumo nos oferece cada vez mais sofisticado. Entretanto, para ganhar bem é preciso formação contínua, sem descanso, a não ser que se trate de funcionário público, pois este tem emprego garantido até a morte, e dependendo do cargo, ganha muito bem. Não sendo funcionário público, precisa estar sempre atualizado e bem preparado para a competição, porque até mesmo aquele que tem seu próprio negócio, hoje, precisa competir, e não mais concorrer. Concorrer é saber que há espaço para todos, porém no competir está a ideia de ser melhor do que o outro.

Competir, aí está o x da questão, ou melhor, do stress!

Sendo filósofo, antes mesmo de se tornar pianista, (era chamado pelos amigos de Tarso de Mileto, em analogia ao filósofo pré-socrático, Tales de Mileto) Tarso preferiu escolher um caminho com um coração. “Esse caminho tem um coração? Se tiver é bom; se não tiver, não presta”. É o que nos ensina Dom Juan Matus, xamã índio Yanqui do México, mestre do antropólogo Carlos Castaneda. Este ensinamento está na obra “A Erva do Diabo” que foi a tese de mestrado de Castaneda para a Universidade da Califórnia –UCLA).

Desde menino, Tarso procurou sempre escolher um caminho com um coração, e é feliz assim. Como mãe, acompanho bem de perto suas conquistas profissionais e pessoais, e percebo como ele jamais se afastou da filosofia de vida que o norteou desde menino. Um caminho com um coração deveria, talvez, ser a premissa maior daqueles que sofrem todo tipo de stress, de opressão, de insatisfação, de angústia. Às vezes, basta abrir mão de apegos para que a vida volte a fluir, como um rio. Quem sabe, fazer como o Tarso, escolhendo primeiro a vida, e depois a lição.

Referências
As citações sobre Thomas Edison, Marcel Proust, Albert Einstein e Pablo Picasso
foram tiradas do livro “O Código do Ser”, de James Hillman e os dados
biográficos de Carlos Castaneda da Wikipédia.


Texto revisado

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Sobre o Autor: Regina Ramos   
Professora de Português, Francês, História da Educação e Filosofia da Educação. Orientadora Educacional e Consultora Pedagógica. Palestrante. Taróloga.
E-mail: [email protected]
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