Por que é tão difícil terminar um relacionamento?
Autor Eliana Guedes
Assunto PsicologiaAtualizado em 8/13/2026 10:12:36 AM

Por que é tão difícil terminar um relacionamento?
Terminar um relacionamento amoroso raramente é uma decisão simples. Mesmo quando a relação deixa de ser saudável, o processo de rompimento costuma ser acompanhado de intensa ambivalência, culpa e paralisia emocional.A psicologia, a psicanálise e a teoria do apego oferecem profundas reflexões sobre os mecanismos inconscientes e emocionais que nos mantêm atados a vínculos insatisfatórios.
O Espelho do Outro e a Projeção Psicológica
De acordo com a premissa de que tudo no outro que nos agrada ou desagrada tem a ver com nós mesmos, os relacionamentos funcionam como um espelho.- Quando a relação é gratificante, tendemos a permanecer.
- No entanto, quando ela causa sofrimento e, ainda assim, não conseguimos nos afastar para preservar nossa saúde física e mental, entram em jogo dinâmicas inconscientes mais complexas.
A Perspectiva Teórica: O que dizem os autores e teóricos?
Diferentes correntes teóricas explicam por que o ser humano tende a se manter em relações que geram dor:1. A Repetição do Passado e a Família Disfuncional (Sigmund Freud e Melanie Klein)
Freud abordou a tendência humana à repetição através do conceito de compulsão à repetição (Wiederholungszwang).- Autores da psicanálise explicam que frequentemente buscamos nos relacionamentos adultos os mesmos padrões afetivos vivenciados na infância com figuras parentais.
- Se a dinâmica familiar original era marcada por negligência, instabilidade ou conflito, o indivíduo pode cristalizar a dor e o sofrimento como componentes normais do afeto.
- Amar e sofrer tornam-se sinônimos, gerando a busca pelo amor do outro a qualquer preço; onde a validação externa se sobrepõe ao amor-próprio.
2. Pulsão de Vida (Eros) versus Pulsão de Morte (Thanatos)
Na segunda tópica freudiana, Freud propõe que somos regidos por duas forças fundamentais:- Pulsão de vida: Impulsiona para a preservação, o crescimento, a união e o bem-estar.
- Pulsão de morte: Um impulso inconsciente à autodestruição, ao retorno a um estado de inércia e à repetição de situações destrutivas.
- Reflexão: Permanecer em uma relação nociva pode ser interpretado, sob esse prisma, como uma manifestação da pulsão de morte, onde o indivíduo inconscientemente tolera a dor psíquica e a degradação emocional.
3. A Dialética entre Prazer e Dor (A Economia Psíquica)
Para a psicanálise, o prazer e a dor não são opostos absolutos, mas caminham muitas vezes de mãos dadas.- O masoquismo moral ou psíquico demonstra que certas dores trazem um gozo inconsciente ou a falsa sensação de Redenção (o "amor que suporta tudo").
- A esperança de que o parceiro mude e cure feridas antigas mantém o indivíduo preso a uma promessa de futuro que raramente se concretiza.
4. A Teoria do Apego (John Bowlby)
Na linha da psicologia do desenvolvimento, John Bowlby explica que a necessidade de vínculo é uma sobrevivência primária.- Indivíduos com apego ansioso ou ambivalente tendem a tolerar abusos e rejeições por pavor do abandono. Para o cérebro emocional, a dor de um relacionamento ruim é, paradoxalmente, preferida ao vazio aterrorizante da solidão, que remete ao abandono infantil original.
Conclusão
Os questionamentos sobre o fim de um relacionamento tocam nas raízes mais profundas da condição humana. Afastar-se de quem nos faz mal exige não apenas lógica e racionalidade, mas um complexo resgate do amor-próprio e a desconstrução de padrões inconscientes que equiparam o afeto ao sofrimento.|
Autor Eliana Guedes Realizo Atendimentos Online - Cel./WhatsApp: 9.9365-3322. Com Pós Graduação em: Acupuntura, Psicologia Integrativa Transpessoal, Saúde Mental e Gerontologia, Psicologia Hospitalar, Gestão Pública e Neuropsicologia. Site: https://www.elianaguedes.com.br/ Instagram: @eliana.guedes.psicologa E-mail: [email protected] | Mais artigos. Saiba mais sobre você! Descubra sobre Psicologia clicando aqui. |









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