Os princípios que você defende, servem também para os seus inimigos?
Vídeos > autoconhecimento > Os princípios que você defende, servem também para os seus inimigos?
A verdadeira força de um princípio moral ou ético reside na nossa capacidade de sustentá-lo mesmo quando ele favorece alguém que desprezamos. Ao analisarmos esse dilema através do imperativo categórico de Immanuel Kant, da Teoria da Identidade Social de Henri Tajfel e do conceito do "direito a ter direitos" de Hannah Arendt, percebemos que a tendência humana de criar exceções justificáveis costuma esconder preferências e aversões pessoais mascaradas de convicção ética.
O caso histórico da advogada Eleanor Holmes Norton, que defendeu um líder da Ku Klux Klan na Suprema Corte americana em 1969, demonstra como a garantia de um direito universal só se provou genuína no momento em que protegeu o adversário abominável. Quando permitimos que o Estado ou a sociedade contraiam a aplicação das leis para atingir o grupo oposto, criamos o precedencialismo que amanhã poderá ser utilizado contra as nossas próprias liberdades.
Desenvolver a maturidade psíquica exige questionar o impulso cotidiano de enxergar o inimigo como uma exceção ao rigor da justiça e da empatia. Ao exercitarmos o autoexame diante do julgamento alheio, evitamos que o partidarismo limite a nossa percepção moral e fortalecemos a autonomia do pensamento crítico.
Carolina Michelini | Clube de Leitura Ler-Se