A principal via de comunicação do seu corpo - Parte III

A principal via de comunicação do seu corpo - Parte III

Autor Rosemeire Zago

Assunto Psicologia
Atualizado em 16/04/2026 11:13:18


Você já ouviu falar do nervo vago? Embora o nome pareça estranho, é ele quem comunica tudo o que acontece dentro do seu corpo ao seu cérebro. Ele é o centro da Teoria Polivagal e o principal componente do nosso Sistema Nervoso Autônomo Parassimpático.

É através dele que o cérebro recebe informações detalhadas de tudo o que acontece dentro de seu corpo. Ele também regula as funções involuntárias - como frequência cardíaca e digestão, influenciando diretamente nossa percepção de segurança e nossos estados emocionais.

O nome "vago" vem do latim vagus (errante, aquele que vagueia) porque ele "vagueia" nosso corpo como você verá abaixo. É também o maior nervo do Sistema Nervoso Autônomo e o décimo dos doze nervos cranianos. E tem dois ramos: Vago Ventral e Vago Dorsal.

Se você for pesquisar sobre o assunto, poderá encontrar nomes diferentes para as mesmas funções. Você verá outros nomes, como:
. Vago Ventral ou Vagal Ventral;
. Vago Dorsal ou Vagal Dorsal;
. Ou até Ventro Vagal e Dorso Vagal.

Não se preocupe, todos estão corretos! Essas variações existem apenas por questões de tradução ou preferência técnica. Eu prefiro usar Vago Ventral e Vago Dorsal, porque assim fica bem claro que o Nervo Vago é Ventral ou Dorsal. Como fica mais fácil para você?

Para entender a diferença entre eles e não confundir, é só ficar atento ao nome: o termo Ventral quer dizer que o nervo sai pela frente no tronco encefálico (a base do cérebro) e Dorsal, sai pelo dorso, atrás. Quando fazemos essas associações, compreendemos e memorizamos melhor.
Observe no diagrama abaixo como o nervo vago se distribui pelo corpo. Ao sair da base do cérebro, ele se divide em dois ramos principais que se conectam aos nossos órgãos:
Entenda seu trajeto
Observe na imagem abaixo como o nervo vago se distribui pelo corpo, mostrando como o cérebro se comunica com cada órgão.


Como você pode ver na imagem, o nervo vago é como um cordão principal que vai soltando ramificações para se ligar a cada órgão. É através desses fios que o cérebro recebe notícias detalhadas de tudo o que acontece dentro do seu corpo. Se divide em dois caminhos principais, cada um com funções específicas:

- Ramo Vago Ventral (Via de Segurança): Suas ramificações saem da parte frontal da base do cérebro e conectam-se aos olhos, face, ouvidos, língua e traqueia. Também possui ramificações que inervam os pulmões e o coração, regulando os batimentos cardíacos e a pressão arterial. É este sistema que nos permite processar a voz humana e expressar emoções, sendo a base para o nosso engajamento social e sensação de segurança.

- Ramo Vago Dorsal (Via de Proteção): Este ramo sai da parte de trás da base do cérebro e desce por trás dos órgãos, passando pelo diafragma para chegar aos órgãos de baixo: estômago, fígado, pâncreas e intestinos. É por este caminho que acontece a conversa direta entre cérebro e intestino - o que explica por que ele é chamado de nosso "segundo cérebro".

Para visualizar melhor, imagine o Nervo Vago como uma árvore, onde suas ramificações se espalham como raízes profundas por todo o nosso tronco, como mostra a imagem abaixo:


Perceba como o nervo se ramifica: o ramo Ventral - em verde - sai da parte da frente do tronco encefálico e vai aos órgãos acima do diafragma, coração e pulmão; enquanto o ramo Dorsal - rosa - sai da parte de trás e desce para os órgãos abdominais, abaixo do diafragma.
Observe também que o nervo vago dorsal "atravessa" o diafragma. Você sabia que o diafragma não é um órgão, e sim o principal músculo da respiração e é ele quem separa a cavidade torácica da abdominal?

Ao respirarmos de forma profunda e consciente, o movimento desse músculo estimula o nervo vago, enviando sinais de segurança que ajudam a regular nossos estados emocionais e a percepção de calma.
Por isso que a respiração diafragmática (uma das técnicas de regulação emocional), é tão poderosa, porque o nervo vago atravessa esse músculo. Quando respiramos profundamente e o diafragma se movimenta, ele realiza uma massagem física no nervo vago. Essa estimulação sinaliza ao cérebro que o perigo passou e que o corpo pode finalmente sair do modo de proteção e retornar ao estado de segurança. Incrível entender mais profundamente como uma simples respiração faz tantos movimentos internos e porque nos acalma de verdade, não é?

Além da respiração, pequenos gestos de acolhimento também acionam o nosso Vago Ventral. Colocar as mãos suavemente sobre o peito, receber um abraço apertado ou praticar o autoabraço, são sinais poderosos de segurança. Esse acolhimento físico avisa ao sistema nervoso que o perigo passou, permitindo que o corpo retorne ao seu estado de calma.
Vamos nos aprofundar mais um pouco? Sim, ainda vai complicar um pouco, mas nada que você não consiga compreender. Dê uma pausa, se alongue, beba algo, e volte para continuar!

Agora vamos unir o Nervo Vago com o Sistema Parassimpático
Para facilitar o raciocínio, vamos relembrar o que vimos na Parte 1: o nosso Sistema Nervoso Autônomo - S.N.A. se divide em Simpático (ação: luta ou fuga) e Parassimpático.. Mas, quando falamos sobre o nervo vago, focamos no Parassimpático - e você logo vai entender o motivo.

A visão tradicional acredita que o Parassimpático serve apenas para "descansar e digerir". Mas a Teoria Polivagal nos ensina que o Nervo Vago comanda o Sistema Parassimpático e que este sistema é mais complexo, dividindo-se em dois caminhos com funções opostas:

- Sistema Parassimpático Ventral (Nervo Vago Ventral): é o mais recente. Este estado é acionado automaticamente quando a nossa neurocepção detecta segurança. É o que realmente nos acalma, permitindo o relaxamento, a manutenção da saúde e a conexão com as pessoas. É o estado de segurança.

- Sistema Parassimpático Dorsal (Nervo Vago Dorsal): é o mais primitivo. Embora também faça parte do parassimpático, ele age de forma contrária. Ele é ativado quando a neurocepção detecta um perigo extremo (ameaça à vida). Em vez de uma calma restauradora, ele traz um desligamento, imobilidade, dissociação ou colapso. É o estado de proteção onde o corpo economiza energia, deixando você com a sensação de estar "fora do ar" ou sem forças. É proteção, mas por congelamento, anestesia. É sobrevivência.

Juntando tudo:


Relembrando:
O nervo vago faz parte apenas do parassimpático, com seus 2 ramos: vago ventral e vago dorsal. Ou seja, o nervo vago não faz parte do sistema nervoso simpático. Eu o trouxe aqui só para fazer essa distinção importante.
Para não confundir simpático com parassimpático, regra de ouro, o parassimpático diz: "para, Simpático!" - ele manda o sistema de ação parar.

Nervo Vago e Neurocepção

Neurocepção é o processo pelo qual o sistema nervoso avalia o ambiente em busca de risco ou segurança de forma automática e sem o nosso controle consciente, lembra?
E qual a relação do nervo vago com a neurocepção? Tudo o que a neurocepção capta do ambiente à sua volta é transmitido ao nervo vago, que leva essa informação ao cérebro. O cérebro, por sua vez, interpreta se o ambiente é seguro ou perigoso e, com base nisso, ativa o sistema correspondente:

- Segurança: Se a neurocepção detecta segurança, o Vago Ventral é ativado, promovendo calma, saúde e conexão com as pessoas.

- Ameaça extrema: Se detecta ameaça real, o Vago Dorsal assume o controle, levando ao desligamento ou congelamento.

Quando o radar detecta segurança e conexão, o nervo vago utiliza a via do Vago Ventral. Este é o caminho que nos mantém calmos, sociáveis e engajados com o mundo. Por outro lado, se a neurocepção percebe que o perigo é extremo e o sistema entra em colapso, o nervo vago ativa a via do Vago Dorsal. Esse é o "freio de emergência" que nos faz congelar ou desligar - um mecanismo ancestral de sobrevivência.

Em resumo: a neurocepção é a escuta, e o nervo vago é quem conecta essa escuta à reação do corpo, definindo se vamos relaxar (segurança) ou congelar (proteção e sobrevivência).
O nervo vago é, portanto, o nosso principal canal de retorno ao equilíbrio. Ele busca incessantemente nos trazer de volta para a segurança, pois é apenas nesse estado que o corpo consegue se curar, digerir e regenerar suas células.

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zago
é psicóloga clínica CRP 06/36.933-0, com abordagem junguiana e especialização em Psicossomática. Estudiosa de Alice Miller e Jung, aprofundou-se no ensaio: `A Psicologia do Arquétipo da Criança Interior´ - 1940.
A base de seu trabalho no atendimento individual de adultos é o resgate da autoestima e amor-próprio, com experiência no processo de reencontrar e cuidar da criança que foi vítima de abuso físico, psicológico e/ou sexual, e ainda hoje contamina a vida do adulto com suas dores.
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