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Hassidismo: união com Deus

por Marcos Spagnuolo Souza

Publicado dia 10/2/2008 em Autoconhecimento

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União Mística com Deus

A melhor maneira de resgatar a centelha divina não é através do estudo avançado dos textos sagrados ou das complicadas fórmulas de meditação, mas pela simples e sincera devoção na oração associada às alegres canções, danças e ensinamentos simples.

O Hassidismo possui como aspecto central a liberação das vicissitudes do mundo através da união mística (devekut) com Deus. O objetivo do Hassidismo é fazer com que o homem desprenda-se do mundo através da oração meditativa, o “daven”. O objetivo da oração mística é permitir que o indivíduo possa atingir a experiência de unidade com a Divindade.

Oração Meditativa

O hassid é o ser humano intoxicado com a Presença Divina alcançada através da oração meditativa. A oração meditativa não inclui apenas as longas recitações comuns às orações judaicas, mas também o canto repetido de peças melódicas, o “nigun”, e a dança hassídica. Através da oração meditativa o ser humano pode atingir a união com Deus.

Orar não é fácil. A oração é dificultada por estímulos físicos que assaltam a consciência. Pensamentos sobre negócios, família e as vicissitudes da vida se intrometem na mente daquele que ora. A oração meditativa possibilita a experiência mística. A oração é a essência da vida religiosa. O misticismo hassídico é abertura ao mistério e à transcendência a partir do reencontro com a dimensão profunda da oração.

Assim como no altar do Templo o sacrifício era consumido pelo fogo, também aquele que ora deve chegar a ponto de ser “consumido” pelo fogo do êxtase durante suas orações. Ser completamente absorvido durante a oração até o ponto de perder a própria consciência do mundo material e despir-se da natureza corporal, deixar-se queimar de desejo pelo divino.

O fogo flamejante consome o indivíduo durante a oração. Durante a oração o homem material morre e a essência se liga a Deus. É um milagre que uma pessoa possa sobreviver à oração. Durante a oração o ser humano traz a experiência do divino para junto de si. O ser humano tem na oração um instrumento para a descoberta de si mesmo como símbolo, isto é, a manifestação do Deus vivo. Na oração o ser humano torna-se inconsciente do mundo inferior e consciente apenas do mundo superior, dos anjos e dos serafins. Oração feita com devoção psicológica e alegria especial pode levar o homem ao êxtase permitindo-o entrar em comunicação direta com a divindade.

O Místico e o Profeta

O homem místico é aquele que se relaciona com "a outra realidade". Por outro lado, o profeta é aquele que vê o futuro e traz de longe alguma coisa que não está no aqui e agora. A profecia é produzida mediante a meditação que levam os que a praticam sair do nível comum de percepção para alcançar a percepção abrangente.

O profeta é designado como "vidente", mas não é essa a sua função mais importante. O profeta derrama lava incandescente de sua boca. Reprovação à crueldade e à corrupção. Adverte oferecendo exemplos dos povos castigados. Mostra a eterna esperança de Deus de que o povo siga um reto caminho em direção a Ele. O profeta é advogado dos explorados, dos injustiçados, sendo adversário violento dos que maltratam o povo. Os profetas buscam instaurar uma sociedade onde a Lei do Mais Forte seja inteiramente abolida.

Religião e Mandamentos

O encontro direto com o Sagrado, para além dos símbolos e das liturgias comunitárias, representa a dimensão de maior profundidade existencial na vida religiosa, pois religião significa ligação com Deus. Ela é a seiva viva que torna possível a fundação e a renovação dos símbolos, das liturgias e da comunidade religiosa como comunhão diante de Deus.

A religião é um paradoxo: é preciso ouvir, aceitar a tradição e ao mesmo tempo inovar a tradição. Os que apenas seguem a tradição colocam-se na condição de “coisas”, não de “seres”. Os que apenas formulam as próprias idéias e evitam ouvir a tradição estão fora do contexto da religião. Os que ouvem o que diz a tradição e com base nisso criam novas possibilidades estão exercendo a sua dimensão infinita.

Os mandamentos servem para que os seres humanos, individuais, singulares e infinitos consigam minimamente se entenderem e viverem próximos uns dos outros. A intenção dos mandamentos não é oprimir a singularidade do indivíduo, é libertar o indivíduo abrindo sua consciência para a singularidade do outro. Os mandamentos protegem os interesses dos que possuem menos evitando que os homens não sejam os lobos da noite, devorando tudo o que lhes caía nas mãos. Os mandamentos procuram fazer com que os conflituosos convivam em vez de se eliminarem uns aos outros. Quem cumpre os mandamentos está automaticamente agindo em prol do bem estar social. Mas uma coisa é agir nesse sentido, cumprindo simplesmente os mandamentos, e outra coisa é considerar a importância disso, indo além dos mandamentos. Pois não basta que uma sociedade seja considerada justa por cumprir apenas os mandamentos. As pessoas tendem a esquecer que o princípio basilar dos mandamentos é abolir a lei do mais forte elaborando uma sociedade justa.

Referências bibliográficas no final da série de artigos sobre Hassidismo.

Texto revisado por Cris

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