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Insatisfações latentes

por Flávio Bastos

Publicado dia 18/9/2008 em Autoconhecimento

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O homem é um ser insatisfeito?

Se analisarmos a questão pela observação das demais espécies vivas da natureza planetária, o homem, por ser dotado de capacidade intelectual, diferencia-se das outras espécies porque questiona a sua existência. E, ao questioná-la, costuma levantar muitas dúvidas a respeito de porque ele existe num pequeno planeta perdido na imensidão de um universo sem fim.

O problema não é o questionamento existencial que é necessário e saudável. O problema maior, digamos, é o sentimento de insatisfação que o homem experimenta consigo mesmo. Insatisfeito, o indivíduo acumula durante sua vida, pequenos descontentamentos que ao acumularem-se tornam-se focos (origens) de psicossomatizações.

Frustrações, desilusões e, principalmente, desamor são as principais causas das depressões traduzidas por sentimentos de insatisfação e incompletude perante a vida.

Atualmente, impressiona o que se observa no relacionamento interpessoal: as pequenas queixas diárias que se fossem analisadas revelariam um conteúdo inconsciente de recentes e atávicas insatisfações acumuladas.

Observa-se pessoas que criaram o hábito diário de reclamar de tudo: da fila do banco que não anda, do tempo frio e chuvoso, do tempo quente e seco, do olhar de determinada pessoa, enfim, encontram sempre um motivo para reclamar de alguma coisa aonde estiverem.

A insatisfação "crônica" é um estado de espírito asfixiante e paralizante que além de comprometer o bem estar bio-psico-espiritual do ser, atrasa o seu crescimento integral. Necessita de tratamento psico-espiritual, o indivíduo que insatisfeito consigo mesmo introjeta e projeta os venenos diários em si mesmo e no outro.

Estudos científicos revelaram que nos "bastidores" dos comportamentos psicóticos de poder (auto)destrutivo, encontra-se em ebulição um psiquismo que esconde insatisfações diante de um mundo que tornou-se, para esses indivíduos, extremamente ameaçador.

As doenças, em grande parte, são o resultado da "contaminação" psíquico-espiritual pelo comportamento queixoso, insatisfeito e pessimista do ser humano. Situação que o mantém indefinidamente refém de suas próprias limitações.

Muitas pessoas possuem o suficiente para viver a vida com dignidade: têm um teto para morar, comida na mesa, acesso aos estudos, família saudável, amigos e um certo conforto no lar. No entanto, continuam a experienciar a sufocante sensação de incompletude como se uma energia desconhecida forçasse caminho na tentativa de preencher vazios de desejos recalcados.

Torna-se praticamente impossível para o indivíduo sentir-se satisfeito e realizado na vida se não aceitar em si a natureza transcendental que pede passagem e lugar em seu desenvolvimento integral. Sentir-se um ser de natureza espiritual é o primeiro passo para quem quiser erradicar de seu interior o vício das reclamações diárias que contaminam alma e corpo. No contexto vital, as manifestações da espirtualidade, inerentes a todos os seres dotados de inteligência, sensibilidade e poder criador, devem fluir com naturalidade...

Não somos mais minúsculos organismos vivos perdidos na imensidão dos oceanos. Somos criaturas que evoluiram com o passar dos milênios. A exemplo do universo, expandimos ininterruptamente a nossa consciência. Hoje, no terceiro milênio, temos uma visão além do sol e da lua e já contemplamos o cosmos com uma consciência mais próxima de Deus.

A fábula "O círculo vicioso", de Machado de Assis, retrata as mazelas humanas representadas pelo ciúme e pelo sentimento de insatisfação. É um belo exercício de reflexão sobre a vida.

Bailando no ar, gemia inquieto o vagalume:
"Quem me dera que fosse aquela loura estrela
que arde no céu azul como uma eterna vela!"
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:

"Pudesse eu copiar o transparente lume,
que da grega coluna à gótica janela,
contemplou suspirosa, a fronte amada e bela!"
Mas a lua, fitando o sol com azedume:

"Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela
claridade imortal que toda luz resume!"
Mas o sol, inclinando a rútila capela:

"Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
Enfara-me esta azul e desmedida umbrela...
Porque não nasci eu um simples vagalume?"

Psicanalista Clínico e interdimensional.
Atendimento online/messenger: visite o site do autor.

Texto revisado por Cris

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Sobre o Autor: Flávio Bastos   
Flavio Bastos é criador intuitivo da Psicoterapia Interdimensional (PI) e psicanalista clínico. Outros cursos: Terapia Regressiva Evolutiva, Psicoterapia Reencarnacionista, Terapia Floral, Psicoterapia Holística, Parapsicologia, Capacitação em Dependência Química, Hipnose e Auto-hipnose e Dimensão Espiritual na Psicologia e Psicoterapia.
E-mail: [email protected]
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