Quando o Silêncio se Torna Liberdade
Autor Paulo Roberto Savaris
Assunto AutoconhecimentoAtualizado em 2/24/2026 7:00:19 PM
A coragem de permanecer fiel a si mesmo
Há momentos em que falamos e não nos escutam.
Escrevemos e não nos leem.
Rezamos… e o céu parece permanecer em silêncio.
Há momentos em que, na tentativa de pertencer, começamos a nos descaracterizar. Ajustamos o tom, suavizamos convicções, trocamos valores por aceitação. Aos poucos, quase sem perceber, deixamos de ser para caber.
E quando caber se torna mais importante do que ser, algo em nós adoece.
Vendemos a essência para preservar vínculos que já não nos preservam. Mudamos a forma de pensar para evitar exclusões. Fazemos o que não gostamos para sustentar imagens que não nos representam. Permitimos que o “ter” fale mais alto que o “ser”.
Mas existe um limite invisível onde a consciência nos chama de volta.
Às vezes, é melhor ser esquecido do que viver uma mentira confortável.
É melhor uma incompreensão provisória do que uma aprovação construída sobre a própria negação.
É melhor parecer tolo hoje do que trair a própria alma para ser aplaudido amanhã.
Não são as palavras que nos definem.
São os exemplos.
Não é o discurso que constrói respeito.
É a coerência silenciosa.
Há situações em que recuar é sabedoria. Deixar a poeira baixar. Permitir que o tempo revele aquilo que o ruído esconde. Nem toda exclusão nasce da incompetência; muitas vezes nasce de interesses, de disputas, de jogos silenciosos onde a verdade não é prioridade.
O perdão é necessário — especialmente quando houve inconsciência.
Mas quando o dano é deliberado, perdoar não significa permanecer.
Significa libertar-se… e seguir.
As coisas mudam.
Insistir em narrativas antigas é filosofar no vazio. Sustentar retóricas sem fundamento é ignorar a própria história. A vida não é estática — e nós também não deveríamos ser.
É na natureza que reencontro respostas.
Observar a água correr é compreender que permanecer não significa estagnar. Heráclito já nos lembrava: ninguém se banha duas vezes no mesmo rio. A água segue, renova-se, transforma-se. Nós, muitas vezes, permanecemos iguais apenas por medo de nos reconhecer em mudança.
Silenciar, então, deixa de ser ausência.
Torna-se escolha.
Silenciar é afastar-se de ambientes tóxicos.
É não ocupar lugares que ferem a própria consciência.
É recusar cargos que alimentam o ego, mas empobrecem o espírito.
É proteger a identidade pessoal quando o mundo insiste em moldá-la.
Renovar-se é aprender a dizer não.
Não ao que já não faz sentido.
Não às expectativas que nos sufocam.
Não às religiões que alienam em vez de libertar.
Espiritualidade não é submissão cega.
É construção íntima.
É ouvir a voz de Deus na própria consciência, na natureza, no silêncio interior que amadurece.
Talvez o mundo não nos escute.
Talvez nos esqueçam.
Mas pior seria esquecer quem somos.
Prefiro o silêncio que me preserva
à voz que me trai.
Texto Revisado
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Autor Paulo Roberto Savaris Paulo Roberto Savaris - Professor Aposentado. Autor dos eBooks da Série Descubra Caminhando com Francisco (Amazon) e de obras publicadas também pela UICLAP. Escreve sobre espiritualidade, fé, natureza e simplicidade. Conheça mais em: https://www.caminhandocomfrancisco.com/ E-mail: [email protected] | Mais artigos. Saiba mais sobre você! Descubra sobre Autoconhecimento clicando aqui. |
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