História: "O homem que não entrava no elevador"
Autor Eliana Guedes
Assunto PsicologiaAtualizado em 6/16/2026 11:51:55 AM
História: "O homem que não entrava no elevador"
Havia um homem chamado Renato, já com seus 60 e poucos anos, muito trabalhador, responsável, respeitado pela família e pelos colegas. Era o tipo de pessoa que todo mundo dizia:"Ele aguenta tudo."
Nunca reclamava, nunca chorava, nunca pedia ajuda.
Mas havia uma coisa que ninguém sabia.
Renato tinha um medo enorme de entrar em elevador.
E não era um medo simples. Era um medo que dava suor frio, tremedeira, coração acelerado, falta de ar.
O pior de tudo era que ele sentia vergonha.
Ele dizia pra si mesmo:
"Como eu, um homem sério, vou ter medo disso?"
E então ele escondia.
Quando precisava ir a um prédio, inventava desculpas.
Dizia que preferia escada porque "fazia bem pra saúde".
Ou que estava "com pressa e escada é mais rápido".
Só que, um dia, ele recebeu uma notícia: sua esposa precisaria fazer exames e o consultório era no 12º andar.
Ela não podia subir escada.
Naquele momento, Renato se sentiu encurralado.
E veio a vergonha, junto com o medo.
Ele pensou:
"Se eu travar na frente dela, vou parecer fraco."
"Se eu passar mal, vou passar vergonha."
"Ela vai achar que eu não sou capaz."
Mas, mesmo com tudo isso, ele decidiu ir.
Quando chegou no prédio, o elevador abriu a porta. e ele congelou.
A esposa olhou e perguntou:
- Você está bem?
Ele respirou fundo. e pela primeira vez na vida disse uma verdade que ele escondia há anos:
- Eu tenho medo. Muito medo. E tenho vergonha disso.
A esposa não riu. Não criticou.
Ela só segurou a mão dele e disse:
- Então vamos com medo mesmo.
Renato entrou no elevador tremendo.
O coração disparou. A mente dizia:
"Vai dar errado. Você vai passar mal. Você vai morrer aqui dentro."
Mas ele ficou.
E o elevador subiu.
Quando chegou no 12º andar, ele saiu e teve vontade de chorar.
Não porque foi fácil.
mas porque ele percebeu uma coisa que mudou tudo:
Ele não tinha vencido o elevador. Ele tinha vencido o silêncio.
Na volta, ele entrou de novo. Ainda com medo.
Na terceira vez, o medo diminuiu um pouco.
Na décima vez, ele percebeu que o corpo tremia menos.
E um dia ele disse algo que ele mesmo não acreditava que seria capaz de dizer:
- Eu ainda sinto medo. mas agora eu não sou mais prisioneiro dele.
Depois de um tempo, Renato entendeu algo ainda mais profundo:
a vergonha fazia ele sofrer mais do que o medo.
Porque a vergonha dizia:
"Você não pode sentir isso."
"Você tem que ser forte o tempo todo."
"Você não pode falhar."
E ele percebeu que a verdadeira coragem não é não sentir medo.
Coragem é olhar pro medo e dizer:
'Eu vou continuar mesmo assim.'
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