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Neurose Prospectiva


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As neuroses foram as psicopatologias mais observadas por Freud quando da formulação de sua Teoria Psicanalítica. Ele chegou até elas pela clínica com pacientes que apresentavam sintomas de conversão, na época sintomas histéricos conforme ele denominou, e que estavam relacionados a traumas vividos em uma das fases do desenvolvimento psicosexual do indivíduo, durante a primeira infância.
Apesar da sua classificação das patologias neuróticas não coincidir mais com a Classificação Internacional de Doenças, o fato é que a quase totalidade das manifestações da neurose tem raízes em traumas remotos, salvo as neuroses de adaptação e as neurastenias que se desenvolveram a partir de traumas mais recentes.

Uma das características das neuroses é que elas levam a pessoa a uma compulsão inconsciente à repetição, em uma tentativa do psiquismo de modificar e resolver a situação traumática original pela recriação da história passada. Com isso, a vida atual do neurótico perde a sua espontaneidade, ficando ele repetindo comportamentos, sem o perceber, que representam o mesmo enredo do trauma inicial, modificando-se apenas os personagens, que passam a ser outras pessoas em quem ele encontra, por um processo transferencial, as mesmas características dos primeiros personagens.
Iniciei por esta abordagem, a título de esclarecimento, porque percebo pessoas que também perdem a espontaneidade de seu presente não por traumas passados que influenciam suas vidas, mas por medo de traumas futuros que podem vir a acontecer.

A partir desses medos, elas constroem o momento atual em função de expectativas que sustentam estratégias defensivas para ameaças que podem nunca vir a se concretizar, mas que se apresentam reais no imaginário dessas pessoas.
Ou seja, uma situação traumática imaginária com força de realidade.

Vivemos em uma sociedade que se mantém envolta em uma aura de medo: medos da criminalidade, da carência material e afetiva, de catástrofes, da velhice, entre outros tantos. O próprio sistema estimula isso, e a mídia exerce um papel significativo, repetindo aos nossos olhos todos os tipos de situação que alimentam tais preocupações. Podemos dizer que existe uma indústria do medo, que vende seguros de todos os tipos, material e serviços de segurança, planos de saúde etc.

Há algum tempo, um conhecido me contava, muito entusiasmado, que comprara nos Estados Unidos da América, um aparelho que transforma todo tipo de água em água potável, até água de esgoto, caso aconteça alguma tragédia com alto poder destruidor.
O ser humano para ser saudável precisa ser feliz, porque a felicidade faz liberar hormônios na fisiologia corporal que trazem bem estar e equilíbrio funcional ao organismo. Mas para ser realmente feliz, este ser humano precisa estar no presente, vivendo plenamente o tempo presente, onde o seu prazer real se encontra. Para um ser humano preocupado, sobra muito menos espaço mental disponível para viver a felicidade. Ou seja, um ser humano “pré-ocupado” sobre seu futuro vai alterar a espontaneidade de sua vida presente incapacitando-se a ser feliz e saudável.

Claro que vale ressaltar, para os mais críticos, que não estou fazendo apologia à inconsequência, e que é preciso planejar o futuro. Mas planejar enquanto traçar metas é uma coisa, ficar recriando um presente em função de medos futuros que podem não se concretizar nunca é outra coisa.
É a esse comportamento repetitivo atual sustentado por uma ameaça de trauma futuro que estou chamando de neurose prospectiva.

Poderíamos considerar que uma neurose prospectiva pode existir por conta de uma neurose passada que projeta inseguranças para o futuro. Ou seja, uma situação traumática remota alimenta um medo inconsciente de que ela se repita no futuro, alterando o presente da pessoa. Isso seria uma conjugação de fatores. Contudo, ao que observo, essa neurose prospectiva pode aparecer isoladamente de influências passadas, denotando uma personalidade insegura quanto à sua capacidade de enfrentamento futuro.

Acredito que somente uma compreensão transpessoal da vida, das leis que regem nossa realidade espiritual, podem nos situar com mais segurança no presente, menos preocupados com o futuro, mas disponíveis para viver a impermanência e as variáveis que se apresentam, nos permitindo a felicidade possível para o agora.

João Carvalho Neto
Psicanalista, autor dos livros
“Psicanálise da alma” e “Casos de um divã transpessoal”.
www.joaocarvalho.com.br



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Conteúdo desenvolvido por: João Carvalho Neto   
Psicanalista, Psicopedagogo, Terapeuta Floral, Terapeuta Regressivo, Astrólogo, Mestre em Psicanálise, autor da tese “Fatores que influenciam a aprendizagem antes da concepção”, autor da tese “Estruturação palingenésica das neuroses”, do Modelo Teórico para Psicanálise Transpessoal, dos livros “Psicanálise da alma” e “Casos de um divã transpessoal"
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