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Sou gay e daí?

por Cleide Neuza Fernandes Maia

Publicado dia 1/11/2008 em Psicologia

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Esta foi a resposta de um homossexual, certa vez, ao ser questionado - ou melhor, criticado - sobre sua orientação sexual. Um pouco agressiva esta expressão, tanto quanto cheia de razão.
E daí? O que acontece com quem “não tem problemas” dessa ordem? Alguns chegam mesmo à extrema violência contra os gays, tamanho o incômodo provocado pela simples presença deles. Mas, uma coisa é certa: essas pessoas, além de uma elevada dose de agressividade, fazem isso por preconceito, por falta de informação ou até mesmo pelo medo de ser acometido por tal “mal”: se distanciam para não verem neles mesmos características que trazem dentro de si.
Mas, o que é ser homossexual? É uma opção? Certamente não! Ninguém escolhe ser assim. Ninguém escolhe ser vítima de preconceito, discriminação, rejeição e marginalização. Ser homossexual é ter características psicológicas e comportamentais adversas às características físicas sexuais, isto é, ter seus desejos sexuais e afetivos direcionados à pessoa do mesmo sexo. Isso não é uma escolha, nem mesmo um transtorno; é, sim, uma característica da condição humana, assim como o heterossexual.
Quanto à sua causa, estudos mostram que este tema ainda tem muitas controvérsias, ou seja, há evidências em diversas áreas como genética, neurologia, psicologia; esta última, no que se refere à educação familiar e relações interpessoais. Mas, em síntese, não há uma causa determinante, apenas uma interrelação de vários fatores que contribuem, talvez, na maioria dos casos.
A sociedade, em geral, tem bastante resistência aos homossexuais, tomando com isso atitudes repressoras e marginalizantes, onde predominam o ‘pré-conceito’ e a discriminação. Vivenciando essa situação o homossexual sente-se inferiorizado e desprezado, passando, às vezes, ele mesmo a se rejeitar. Isso pode resultar em sintomas de ansiedade, angústia, depressão e outras doenças mais graves. Diante desses conflitos e dificuldades, alguns tomam atitudes extremas, como se envolver com bebidas alcoólicas, drogas, podendo chegar até mesmo ao suicídio, como forma de amenizar suas dores internas e aliviar seu sofrimento.
Na prática clínica pode-se perceber que crianças ainda muito pequenas podem apresentar alguns indícios de homossexualismo como desejo de ser do outro sexo, inconformismo com o próprio corpo, preferências por atividades próprias do sexo oposto. Também há pessoas que passam anos de sua vida como heterossexuais e aos cinqüenta ou sessenta anos descobrem ter desejo sexual e afetivo por alguém do mesmo sexo. Ou pode acontecer delas passarem todo o tempo com certa insatisfação, certo incômodo e não saberem ou não quererem tomar consciência do por quê.
Nas crianças especialmente, além dos sintomas acima, podem surgir outros como insônia, pesadelos, angústia, crises de choro, autodesvalorização, sentimento de culpa, idéia de suicídio, etc. Já no adulto, como ele já tem mais recursos, varia um pouco mais, dependendo da sua autoaceitação e de sua percepção quanto à aceitação do outro.
Normalmente, os pais percebem que há “algo errado” com os filhos, pois esperam sempre ter filhos heterossexuais, mas tendem a negar isso. E é importante que isso não aconteça, que eles estejam atentos, que observem suas próprias condutas, se não estão influenciando até mesmo de forma inconsciente, por exemplo, manifestando, sem perceberem, o desejo de que sua criança fosse do outro sexo; certificar-se  de que ela está sofrendo abuso sexual ou sendo influenciada de alguma forma.
É importante entender que não é a condição sexual que vai fazer o filho igual ou diferente dos demais. Tanto o homossexual como o heterossexual deve receber uma educação sexual saudável, assim como toda a formação para a vida que for necessária e possível, baseada no diálogo, orientação, aceitação e apoio.


Texto revisado por Cris

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Sobre o Autor: Cleide Neuza Fernandes Maia   
Psicóloga, atua numa aboradagem psicanalítica e utiliza técnicas de hipnose e regressão.
E-mail: [email protected]
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