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Autoconhecimento I: Você se conhece?

Autoconhecimento I: Você se conhece?

por Rosemeire Zago

Você se conhece? Essa é uma resposta que respondemos tranquilamente com um: "claro que sim!" Mas eu peço que você pare alguns segundos e repense sobre sua resposta. Continua afirmando que se conhece? Ótimo! Então, vamos tirar alguns minutinhos enquanto lê este artigo para uma reflexão sobre si mesmo. O que sabe de você? Quais são os momentos que mais marcaram sua vida? Quais são seus pontos positivos, qualidades? Pode descrever uma por uma? E seus pontos negativos? O que tem feito para mudar aquilo que não gosta em você? Já percebeu o quanto você insiste em agradar a outras pessoas? Ou ainda, o quanto busca por reconhecimento e aprovação daqueles com quem convive? Você pode até responder que não faz nada para agradar alguém, e eu insisto, será que não faz mesmo? Quais são as características que você percebe em seus pais e reconhece também em você? É, como podemos perceber, não é tão simples assim falarmos sobre nós mesmos, nos conhecermos, não digo superficialmente, mas sim como fruto de muita reflexão.

Já reparou como algumas pessoas tendem a querer saber muito mais da vida de outras pessoas do que das suas próprias vidas? Por que os programas de fofoca entre artistas, big-brother, etc, fazem tanto sucesso? Parece que é mais fácil olhar para o outro do que para dentro de si mesmo. Essa facilidade pode ser também entendida como fuga, comodismo ou ainda por mecanismos de defesa, tendemos a ficar em nossa zona de conforto, por mais que esteja sendo prejudicial para nós mesmos. Mas muito se esquecem ou nunca souberam que muitas vezes aquilo que estão vendo, e que acabam por censurar, criticar, condenar, julgar, nos outros, pode ser apenas um reflexo de suas próprias imagens. Como assim? Quando não se tem autoconhecimento é comum, por exemplo, julgar o comportamento de outra pessoa. E se observamos mais profundamente podemos descobrir que também temos aquele mesmo comportamento. Isso acontece porque utilizamos sem saber o mecanismo que chamamos de projeção, quando por dificuldade em olhar para dentro de nós mesmos projetamos nos outros aquilo que nos diz respeito. Isso não acontece apenas com aspectos negativos, mas também com os positivos. Não vemos em nós mesmos o que parece claro e óbvio nos outros. Esse tipo de mecanismo demonstra na realidade uma pessoa com pouca percepção dos próprios sentimentos, ou seja, pouco autoconhecimento. Agora que você sabe disso ou se lembrou, procure ficar mais atento a seus comentários sobre outras pessoas, usando suas observações como fonte de autoconhecimento, identificando que muitas vezes aquele elogio que faz para determinada pessoa, na verdade também há em você, apenas não havia reconhecido. E quando for sobre aspectos negativos também utilize a seu favor, possibilitando mudar aquilo que até então você sequer havia percebido. Tudo pode ser informação para elevar nosso autoconhecimento, só depende do grau de percepção dos sinais e mensagens que nos deparamos no dia a dia.

A tão conhecida frase do filósofo Sócrates - 470 a.C: "Conhece-te a ti mesmo", que nada deixou escrito, mas cujos pensamentos foram descritos por Platão, nos faz perceber o quanto somos ignorantes de nós mesmos e quanto é antiga a busca pela consciência de quem somos. Hoje quando se fala de filmes recentes como O Segredo ou Quem Somos Nós, na verdade são conteúdos antigos com, digamos, uma nova roupagem. Mas o importante é que tudo isso está provocando reflexões sobre o assunto - autoconhecimento - para quem ainda não havia tido acesso a tão profundos ensinamentos. Mas um filme que indico é da Louse Hay: "Você pode curar sua vida", e que também tem o livro com o mesmo título. É um filme onde através da história de vida dela, nos faz refletir em como estamos conduzindo nossa própria vida.

É preciso parar com a ânsia de tudo pelo outro. Não sou contra o trabalho voluntário, ajudar o próximo, conceitos sobre fraternidade, nada disso, mas está na hora de pensarmos um pouco mais em nossa própria vida, evitando assim, depois de anos de abdicação e dedicação ao outro, seja este quem for, ouvir aquelas célebres frases: "fez porque quis", ou ainda, "não te pedi nada". E quantas outras pessoas não se dão conta do quanto se permitiram ser invadidas, agredidas, abusadas, tudo pela dificuldade em impor limites? Por que permitirmos estar em segundo plano? Por que somos tão permissivos em algumas situações? Temos que estar, se não para o outro, mas para nós mesmos, em primeiro lugar. Como dita a filosofia do Alcoólatras Anônimos: primeiro eu, segundo eu, terceiro eu.... Isso não quer dizer para sermos egoístas nem negligenciarmos as necessidades de outras pessoas, mas devemos lembrar que também temos as nossas. E quais são? Tudo deve ter equilíbrio, e da mesma maneira que podemos nos preocupar com o outro, devemos, no mínimo, nos preocuparmos com nós mesmos na mesma intensidade. E geralmente não fazemos isso. Devemos nos lembrar ainda, que ao fazer pelo outro o que lhe compete ou lhe é de sua responsabilidade, estamos levando-o a não acredite em si mesmo, deixando-lhe a nítida sensação de que não é capaz. E será que é esse o resultado que realmente queremos? Com certeza, desejamos que o outro cresça, mas isso compete a ele. Não podemos permitir que o outro cresça em detrimento de nosso próprio crescimento. Todos nós somos capazes de resolver os próprios problemas, fazer nossas próprias escolhas, desde que acreditemos que antes de cuidar da vida dos outros, somos mais capazes de cuidar da nossa própria vida.

Continuarei no próximo artigo.


Leia Também:

Autoconhecimento II

Autoconhecimento III

Autoconhecimento IV

Autoconhecimento V

Autoconhecimento VI

Autoconhecimento VII

Autoconhecimento VIII


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Atualizado em 10/04/2018 10:39:06

Rosemeire Zago é psicóloga clínica CRP 06/36.933-0, com abordagem junguiana e especialização em Psicossomática. Estudiosa de Alice Miller e Jung, aprofundou-se no ensaio: `A Psicologia do Arquétipo da Criança Interior´ - 1940.
A base de seu trabalho no atendimento individual de adultos é o resgate da autoestima e amor-próprio, com experiência no processo de reencontrar e cuidar da criança que foi vítima de abuso físico, psicológico e/ou sexual, e ainda hoje contamina a vida do adulto com suas dores.
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