Onde existe humildade não há fragilidade

Onde existe humildade não há fragilidade

Autor Paulo Tavarez - paulo.tavarez@cellena.com.br

As pessoas dessa geração são emocionalmente fracas, tudo parece melindrar; qualquer palavra mal colocada transforma-se em agressão e o politicamente correto determina o teor das relações humanas. Onde estão os recursos emocionais de outrora? Por que os exemplos de resiliência dos nossos antepassados não servem de modelo para o cidadão hodierno? Até mesmo a verdade deve ser abafada ou compartilhada com todo o cuidado, pois a fragilidade dessa geração é enorme, muitos não suportam ouvir o óbvio.

As pessoas parecem não possuir um “couro duro” que as permitam ouvir o contraditório, foram muito mimadas e paparicadas. Não sou a favor da violência, da truculência, de maus tratos, mas devo reconhecer que as dificuldades na infância ajudam o indivíduo a adaptar-se muito mais facilmente às intempéries tão comuns da existência. 

A geração dos nossos avós, por exemplo, poderia muito facilmente ser chamada de geração ‘Upa, neguinho’. Na canção de Edu Lobo, percebemos algo de muito verdadeiro e que era comum naquele tempo: “Upa, neguinho, começando a andar e já começa a apanhar”. 

Em qualquer época, as dificuldades sempre forjaram as características dos guerreiros. Desde a antiga Esparta até as gerações que nos precederam, sempre houve uma educação firme e impositiva e, com isso, as crianças desenvolviam recursos indispensáveis para as suas experiências de vida. O que se vê hoje, via de regra, é uma geração de bundões, boa parte ainda vive sob os cuidados dos pais até os 40 anos e não demonstram a menor condição de enfrentar frustrações, decepções, perdas etc..

É claro que há exemplos nos dias atuais de pessoas que possuem níveis de equilibrio, força, flexibilidade e leveza que as permitem suportar duros golpes e continuarem em pé no ringue. São pessoas do bem, que sabem compreender as dificuldades do outro, que não se apegam à própria imagem a ponto de lutar pela manutenção de um verniz ilusório de si mesmo. Com isso, não estão preocupadas com ranhuras na imagem; na verdade, eles mesmos estão em luta pela desidentificação dessa imagem. Eles sabem exatamente como transformar a sisudez da vida nesse mundo em brincadeira e isso já denota um entendimento grandioso da dinâmica que envolve a condição humana. Tudo isso as tornam pessoas poderosas, capazes de perdoar, de não se ofender com nada, de tratar o outro com empatia e, principalmente, ajudam-nas a  viverem fora de trincheiras ideológicas. 

O homem de bem não julga, não condena, não se ofende, não se afeta, não revida; pelo contrário, esse comportamento é primitivo demais para aqueles que buscam alcançar um estágio mais elevado de consciência. A violência nunca será adotada por indivíduos que atingiram o mínimo de civilidade e não são conduzidos por emoções, pois eles sabem que qualquer ação violenta trará prejuízos. 

O mundo estertora na violência em função da fragilidade humana, fragilidade que apenas evidencia o nosso atraso. Indivíduos macambúzios transitam pelo mundo com verdadeiros barris de pólvora dentro da alma e qualquer coisa que os contrariem serve de estopim para explosões inconsequentes. 

Nunca foi tão necessário reafirmar o poder da humildade. Ninguém consegue ofender uma pessoa humilde; apenas os vaidosos, orgulhosos e arrogantes se ofendem. O humilde não luta pela manutenção de valores impermanentes como os da própria imagem, ele já perdeu o interesse por isso. Não se importa mais com avaliações, aprovações e nem está preocupado em corresponder às expectativas de ninguém. 

Onde existe humildade não há fragilidade.

Texto Revisado



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Autor: Paulo Tavarez   
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Atualizado em 08/11/2019



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